PETROBRAS

2- Essa é a opinião do Cel. Reformado Gélio Fregapani, de 04/06/2018

COMENTÁRIO GEOPOLÍTICO 282

Em 04 de junho de 2018
Assunto: Petrobras e caminhoneiros

O Governo atribui o lucro atual da Petrobras à sua política. Mentira. O lucro de R$ 6,9 bilhões obtido no primeiro trimestre de 2018 foi alcançado pela venda dos campos de Iara, Lapa e Carcará no valor de R$ 3,2 bilhões. Retirado este efeito não operacional, o lucro cai para R$ 3,7 bilhões, 16% inferior ao alcançado no primeiro trimestre de 2017 (R$ 4,4 bilhões).

O Diretor Pedro Parente retalhou a empresa para privatização. Seguiu a trilha aberta por Fernando Henrique ao lançar ações da Petrobrás na bolsa de Nova Iorque, submetendo a empresa à soberania norte-americana. Ações que valiam 100 bilhões de dólares foram vendidas por 5 bilhões e seu substituto provavelmente continuará na mesma linha.

Um governo brasileiro nacionalista recompraria as ações ou incentivaria a que fossem compradas por brasileiros para evitar um risco permanente de ter nossa empresa-base questionados na justiça de potências, as quais já assinalaram que intervirão militarmente quando for de seus interesses.

Entretanto, nada podemos esperar deste Governo que tudo indica estar querendo a desnacionalização em benefício do estabelecimento financeiro internacional e do seu próprio.

Por que um brasileiro faria isto? Será por ideologia? –É difícil pensar nesta hipótese. Será por dinheiro? - É inacreditável, pois isto não duraria. Será que é por chantagem?- Quem sabe. Pode ser até que seja por terem alma de traidores, mas não podemos penetrar na mente dos que agem contra a própria Pátria.

Sabemos concisamente de algo: este governo não mudará a sua péssima conduta. Esperemos o próximo.


Perdendo a oportunidade [CAMINHONEIROS]

O movimento dos caminhoneiros merece uma profunda reflexão: primeiramente examinemos o que eles pretendiam.

Certamente queriam baixar o preço do diesel, sufocados que estavam pela administração dos preços que os sufocava.

Naturalmente queriam também, como quase todo o povo, acabar com as corrupções, que os corruptos fossem punidos e que o solo, as jazidas minerais e as empresas estratégicas continuassem nacionais, (ou voltassem a ser) (...)

Apesar do movimento ser apartidário era evidente o apoio a uma intervenção militar; não que fosse desejada uma intervenção em si, mas sim como um meio de por ordem no caos político e interromper o desenfreado entreguismo da administração atual.

Claro, o pivô desse assunto só poderia ser a Petrobras, cuja maioria das ações já estava em mãos estrangeiras.

FHC havia vendido grande quantidade da ações na bolsa de Nova Iorque com a promessa de manter o preço internacional do combustível no mercado interno do Brasil e como a Petrobras retira petróleo muito barato, com o preço do barril arranhando os 70 dólares e o dólar subindo o lucro estava simplesmente fabuloso.

Lamentavelmente esse lucro não seguia para completar as obras paralisadas e muito menos para pagar as dívidas...

(...) Para essas despesas o “Parente” mentirosamente dizia ser necessário desinvestir, isto é vender ativos, de preferência os mais lucrativos.

Os lucros estão reservados aos acionistas, na maioria do exterior.

O movimento foi razoavelmente civilizado e até respeitoso; houve menos incidentes do que qualquer outro movimento de vulto, mas jamais poderia conseguir o apoio popular (pois a mídia estava desinformando), se não estivesse em sintonia com as aspirações da população, apesar do inequívoco prejuízo causado quer para a economia nacional quer para a maior parte da população.

O fôlego do movimento era naturalmente limitado e o do Governo também, mas o caos que resultaria do prolongamento grevista tenderia a exigir uma temida intervenção militar e o Governo cedeu na reivindicação básica para os caminhoneiros – diminuiu o preço do diesel (...)

Temer e seus auxiliares cuidaram de não tocar no lucro dos acionistas;

para manter o lucro no patamar referido ao preço internacional darão um subsídio ao preço do diesel, mesmo que tenha que retirar as despesas de manutenção e investimentos, em infraestrutura, educação, saúde e segurança.

Naturalmente o setor da segurança nacional será o mais atingido. Não é a toa que o eterno ministro Jungman está levantando suspeitas de que haveria militares “infiltrados” organizando o movimento. (...)

Se qualquer militar de hierarquia tivesse aderido ao movimento a tropa inteira o seguiria (...)

Em certo momento o movimento foi esvaziando. A mídia, regiamente paga, foi o elemento principal, dando ênfase a tudo que houvesse de ruim e o que era verdade, ao prejuízo para a economia nacional e para as dificuldades dos setores mais vulneráveis como os hospitais.

Não satisfeita, especialmente a Globo, procurou revolver as antigas feridas do período do Governo Militar (...)

A mídia foi o principal instrumento, mas quem venceu?

- Os caminhoneiros? –

Não, certamente ganharam os entreguistas.

Quem lucrou? – os acionistas estrangeiros e seu estabelecimento financeiro.

Quem perdeu?- O Brasil.

Mas afinal era necessária uma intervenção militar ou ao menos seria conveniente agora? Indispensável não foi.

Com todos os prejuízos que aconteceram e os que ainda acontecerão nos meses que restam ao governo entreguista o Brasil sobreviveu e sobreviverá.

Teria sido conveniente uma intervenção? (...)

Sem interferir nos aspectos gerais do Governo, as Forças Armadas poderiam bem ter ”vetado” certos assuntos como a desnacionalização da Petrobras (...)

A simples ameaça de intervenção maior conseguiria o que for urgente e desejado pela população quase sem dor.(...) a credibilidade das Forças Armadas não é mais a mesma.



1- Divulgamos a Carta à sociedade brasileira, assinada por Felipe Coutinho/Presidente da AEPET - Associação dos Engenheiros da Petrobrás

"Carta à sociedade brasileira

Apresentação do Plano Estratégico 2017-2021 ao CA da Petrobras



A Direção da Petrobras divulgou que o Conselho de Administração apreciará o novo Plano Estratégico (PE 2017-2021) na próxima semana.


A Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET) reitera que existem alternativas ao plano de privatização que está sendo realizado e que pode alienar cerca de um terço do patrimônio da estatal.



Leia a Carta AEPET 004/16 Assunto: Alternativas para lidar com o endividamento da Petrobrás, preservar sua integridade corporativa e capacidade de investir para garantir a segurança energética do Brasil


A venda de ativos rentáveis compromete o fluxo de caixa futuro, entrega o mercado nacional aos competidores privados ou intermediários, fragiliza o desenvolvimento tecnológico soberano, transfere a propriedade de riquezas naturais finitas e estratégicas. A venda do petróleo do pré-sal, da infraestrutura de gasodutos, das unidades petroquímicas, dos terminais de GNL com as termelétricas associadas, da Liquigás Distribuidora de GLP e do controle da BR Distribuidora compromete o futuro da companhia.


Leia O Valor do Controle da BR Distribuidora


Leia Desinvestimento, eufemismo para privatização, prejudica a Petrobras


Em cartas à direção da Petrobras e seus conselheiros, tornadas publicas aos petroleiros e à sociedade, a nossa Associação também alerta para o risco da Petrobras cometer os mesmos erros estratégicos das multinacionais.


As maiores multinacionais de capital privado do setor do petróleo não repõem suas reservas na taxa que são esgotadas, têm produção declinante, apresentam resultados financeiros fracos, e perderam boa parte de sua capacidade tecnológica, ao terceirizar suas atividades às empresas prestadoras de serviço. Em uma palavra, definham. Entre as principais causas, a adoção de modelo de negócios baseado em premissas falsas, com objetivo de maximizar o valor para o acionista no curto prazo, com precária visão estratégica ao não compreender o ambiente de negócios, seguindo bovina e consensualmente planos similares baseados em informações de “consultorias independentes”, ao negar restrições socioeconômicas, além de ignorar limites naturais. Caso a Petrobras adote modelo parecido terá o mesmo destino, em breve.


Leia Carta AEPET 008/16 Assunto: Desafios estratégicos da Petrobrás

Veja também os anexos


A Petrobras foi vitima de um cartel de empreiteiros que através de políticos traficantes de interesses, executivos de aluguel, além dos banqueiros que lavam mais branco, formaram um grupo de bandidos que fraudou a companhia. Os recursos precisam ser recuperados e os responsáveis julgados e punidos.


A corrupção precisa ser combatida com o fortalecimento institucional da companhia e não pode ser utilizada como pretexto para a entrega do patrimônio público a outros interesses privados, desta vez o das multinacionais do petróleo, fundos de investimento, bancos credores e suas agência de avaliação de risco.


Leia Carta AEPET 001/15


Leia O histórico cerco à Petrobras e a corrupção


Leia Receita para defender a Petrobras contra a corrupção


Leia Empreiteiras cartelizadas: inidôneas ou grandes demais para responder à lei?


Leia Carta AEPET 010/16 Assunto: Estratégia e modelo de contratação da Rota 3 do Comperj



Leia Carta AEPET 019/15 Assunto: Fortalecimento da gestão dos empreendimentos e da função Engenharia na Petrobras


O novo plano precisa ainda fortalecer a atuação integrada da Petrobras, desde a exploração do petróleo, à produção dos petroquímicos, dos biocombustíveis e das energias renováveis. Ampliando seu mercado através da infraestrutura logística e de distribuição. Além de fortalecer o seu Centro de Pesquisas (Cenpes), a inovação e o desenvolvimento tecnológico.


É necessário agregar valor ao petróleo cru, especialmente no atual cenário de elevação dos custos médios e mundiais da sua exploração e produção, com grande instabilidade dos preços, somadas à recessão econômica mundial, à instabilidade do sistema financeiro e às disputas monetárias entre potencias internacionais.


Leia O Preço do Petróleo e o Sinal dos Tempos



Leia Carta AEPET 012/16 Assunto: Retirada da Engenharia básica do Cenpes com prejuízo à inovação e ao desenvolvimento tecnológico



Leia Carta AEPET 021/15 Assunto: Reorganização do Cenpes e da Engenharia na Petrobras


É preciso fortalecer a Petrobras Biocombustível reavaliando o seu modelo de negócios para que tenha acesso as matérias primas com custos mais baixos e próximos aos custos de produção. Desenvolver produtores e a cadeia de valor para atuação integrada, sem depender da aquisição das matérias primas de seus competidores ou potenciais competidores. Precisa ampliar sua área de atuação para a produção de energia elétrica de origem renovável, eólica e solar. Atuar também nas Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), opções rentáveis para geração distribuída de energia.


A renda petroleira deve ser usada para levantar a infraestrutura para a produção das energias renováveis que são essenciais para o futuro.


Leia O Pré-Sal e as Energias Potencialmente Renováveis


A descoberta do pré-sal, a maior dos últimos 40 anos, e o domínio tecnológico desta região geológica de fronteira nos dá a oportunidade de construir um país justo e solidário. É preciso ter estratégia de longo prazo, produzir na medida do nosso desenvolvimento e em suporte a ele.


Nenhum país se desenvolveu exportando petróleo por multinacionais. Nenhum país, continental e populoso como o Brasil, se desenvolveu exportando petróleo cru ou matérias primas sem valor agregado, mesmo que através de companhias nacionais, estatais ou públicas.


Existe correlação entre o desenvolvimento humano e o consumo per capta de energia primária. Precisamos usar nossas riquezas nacionais para atender a tantas necessidades dos 205 milhões de brasileiros. Um povo trabalhador e honesto, mas mantido na ignorância por uma elite medíocre que insiste em nos lançar em novos ciclos do tipo colonial.


Superamos a produção de um milhão de barris por dia no pré-sal, em tempo recorde. O pré-sal é uma realidade e representa quase metade da produção nacional. A História demonstra a capacidade técnica e financeira da Petrobras e do Brasil". Competimos em mercado aberto, a Shell devolveu o campo de Libra à ANP declarando que não havia petróleo comercialmente viável. A Petrobras assumiu o campo, alcançou a camada do pré-sal e descobriu uma nova reserva gigantesca que agora segue em desenvolvimento sob o regime de partilha. Imaginem o que diriam os entreguistas de sempre, se o insucesso fosse da Petrobras.


A AEPET tem compromisso com o futuro do Brasil e por isso defende a Petrobras. É preciso que a nossa companhia seja forte, esteja a serviço da maioria e continue a demonstrar a capacidade de trabalho dos brasileiros.


Felipe Coutinho
Presidente da AEPET"



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